Crescente Setembro 16, 2006
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Desenha-se no céu o crescente
da lua que teima em caminhar
para o redondo inexorável do pleno
- intangível ao meu esforço.
Caminho crescente persistente
como a lua peregrina obstinada
que nunca desiste, insiste, insiste
- caminho sem rumo e crescente velada.
Talayen
Não é a luz, mas paradoxalmente a sua ausência o que nos projecta para fora de nós. O nosso reflexo está além, mas espreita daqui numa escuridão desconcertante: a que se tece de dentro, porque única.
É a Lua peregrina, a que se transfigura entre sombras e luares, que nos encamiha por esta noite dentro, que nos parece infinita, apenas para morrer na manhã seguinte.
Mas eu sei que ela voltará, sairá da discrição do seu manto celeste para espraiar o luar, que a todos nos deixa nús de emoções e pensamentos.
E seguimos, seguimos atentamente a sua parada entre as estrelas, Ela, a eterna ninfa da noite, que ora se mostra, ora se esconde, mas para sempre a bússula das nossas fantasias.
De profundis